TOD – Transtorno Opositor Desafiador

Publicado em 02/07/2018 - Categoria: Textos

Escrever sobre comportamentos que muitas vezes deixam os pais com os “cabelos em pé” (rebeldia dos filhos, desobediência, dificuldade de lidar com frustrações, birras, etc) é algo muito sério. Nem se pode trata-los como algo do momento e que “vai passar” e nem os transformar imediatamente em um caso de patologia.

Quando fui convidada pela Talentos a desenvolver um artigo sobre o Transtorno de Oposição Desafiante (TOD) para postar no site da escola, imediatamente pensei na necessidade de algo com embasamento científico para que, você leitor, adquirisse um conhecimento pautado em algumas fontes que nós, profissionais da saúde mental, nos baseamos para a conduzir da melhor forma os pais que nos procuram para orientação e atendimento de seus filhos que apresentam atitudes que extrapolam o que nossa sociedade considera um padrão aceitável de normalidade.

Neste primeiro texto, decidi brevemente expor quais são os comportamentos que, se observados, devem ser sinal de alerta para se procurar ajuda de profissionais que poderão avaliar se realmente se trata de algo a ser acompanhado, quais as causas, melhores técnicas e especialidades para auxiliar a família e o paciente cujos comportamentos de desobediência estão ultrapassando os níveis considerados normais para a idade e estão prejudicando tanto o bom desenvolvimento da sua personalidade, quanto a harmonia dentro de casa e, por vezes, em outros ambientes.

Os sintomas essenciais do transtorno são um padrão de humor raivoso e/ou irritável, comportamentos desafiadores e/ou questionadores que ocorrem na interação com pelo menos uma pessoa, que não irmãos, na seguinte frequência e persistência:

  • Crianças com idade abaixo de 5 anos (quando, geralmente, os primeiros sintomas se manifestam): maioria dos dias, período mínimo de 6 meses.
  • Crianças com idade acima de 5 anos: pelo menos uma vez por semana, período mínimo de 6 meses.

Mas outros fatores também têm que ser levados em consideração tais como a intensidade dos comportamentos além do que se é esperado para aquela faixa etária, gênero, contexto cultural.

Ainda, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, pelo menos quatro dos sintomas abaixo devem estar presentes ao observar a criança ou adolescente:

  • Frequentemente perde a calma;
  • Frequentemente é sensível ou facilmente incomodado;
  • Frequentemente é raivoso ou ressentido;
  • Frequentemente questiona figuras de autoridade;
  • Frequentemente desafia ou se recusa a obedecer a regras ou pedidos de figuras de autoridade;
  • Frequentemente incomoda outras pessoas;
  • Frequentemente culpa os outros por seus erros ou mau comportamento;
  • Apresentou, pelos menos duas vezes nos últimos 6 meses, comportamentos malvados ou vingativos.

Este conjunto de comportamentos que, muitas vezes, deixam os pais sem saber o que fazer, podem surgir a partir de vários fatores associados, tais como aspectos temperamentais (níveis elevados de reatividade emocional e baixa tolerância à frustração); dados fisiológicos e/ou genéticos a serem aprofundados com os profissionais da medicina; fatores ambientais (educação inconsistente, desregrada).

Entre aqueles que atuam nas áreas da saúde física e mental, é unânime que quanto antes se diagnostica o transtorno e se inicia um tratamento adequado com acompanhamento multidisciplinar (neurologista, psiquiatra, psicólogo, entre outros, conforme a gravidade identificada), mais eficazes são os resultados e menos risco se corre do Transtorno de Oposição Desafiante se agravar e levar ao desenvolvimento de transtornos emocionais e comportamentais mais complicados, tais como depressão, abuso de substâncias, dificuldade no controle dos impulsos, ansiedade crescente, violência contra outros, etc.

A maioria dos pais sabe que, vez ou outra, algum ou alguns desses comportamentos se manifestam nas crianças. A questão, mais uma vez pontuo, é a intensidade e persistência dos mesmos. Nossas crianças precisam do olhar atento dos adultos que por elas zelam para que, se detectados tais sintomas, não se contentem só com o “isto é uma fase e daqui a pouco passa”.

Na dúvida, consulte o pediatra do seu filho e um psicólogo clínico infantil. Eles se aprofundarão no dia a dia família e farão a avaliação e orientação adequadas.

Referência Bibliográfica: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-V. Edição. Com nova versão em 2014